FESTA JUNINA " WIKIPÉDIA"
Festas juninas ou festas dos santos populares são celebrações que acontecem em vários países historicamente relacionadas com a festa pagã do solstício de verão na europa ou do inverno no Brasil, que era celebrada no dia 24 de junho, segundo o calendário juliano (pré-gregoriano) e cristianizada na Idade Média como "Festa de São João". Os outros dois santos populares celebrados nesta mesma época são São Pedro e São Paulo (no dia 29) e Santo Antônio (no dia 13).
Essas celebrações são particularmente importantes no Norte da Europa — Dinamarca, Estónia, Finlândia, Letônia, Lituânia, Noruega e Suécia —, mas são encontrados também na Irlanda, na Galiza, partes do Reino Unido (especialmente na Cornualha), França, Itália, Malta, Portugal, Espanha, Ucrânia, outras partes da Europa, e em outros países como Canadá, Estados Unidos, Porto Rico, Brasil e Austrália.
A Quadrilha
A quadrilha brasileira tem o seu nome de uma dança de salão francesa para quatro pares, a "quadrille", em voga na França entre o início do século XIX e a Primeira Guerra Mundial.
A "quadrille" francesa, por sua parte, já era um desenvolvimento da
"contredanse", popular nos meios aristocráticos franceses do século XVIII. A "contredanse" se desenvolveu a partir de uma dança inglesa de origem campesina, surgida provavelmente por volta do século XIII, e que se popularizara em toda a Europa na primeira metade do século XVIII.
A "quadrille" veio para o Brasil seguindo o interesse da classe média e das elites portuguesas e brasileiras do século XIX por tudo que fosse a última moda de Paris (dos discursos republicanos de Gambetta e Jules Ferry, passando pelas poesias de Victor Hugo e Théophile Gautier até a criação de uma academia de letras, dos belos cabelos cacheados de Sarah Bernhardt até ao uso do cavanhaque).
Ao longo do século XIX, a quadrilha se popularizou no Brasil e se
fundiu com danças brasileiras pré-existentes e teve subsequentes
evoluções (entre elas o aumento do número de pares e o abandono de
passos e ritmos franceses). Ainda que inicialmente adotada pela elite
urbana brasileira, esta é uma dança que teve o seu maior florescimento
no Brasil rural (daí o vestuário campesino), e se tornou uma dança
própria dos festejos juninos, principalmente no Nordeste. A partir de
então, a quadrilha, nunca deixando de ser um fenômeno popular e rural,
também recebeu a influência do movimento nacionalista e da
sistematização dos costumes nacionais pelos estudos folclóricos.
O nacionalismo folclórico marcou as ciências sociais no Brasil como na Europa entre os começos do Romantismo e a Segunda Guerra Mundial.
A quadrilha, como outras danças brasileiras tais que o pastoril, foi
sistematizada e divulgada por associações municipais, igrejas e clubes
de bairros, sendo também defendida por professores e praticada por
alunos em colégios e escolas, na zona rural ou urbana, como sendo uma
expressão da cultura cabocla e da república brasileira. Esse folclorismo
acadêmico e ufano explica duma certa maneira o aspecto matuto rígido e
artificial da quadrilha.
No entanto, hoje em dia, essa artificialidade rural é vista pelos
foliões como uma atitude lúdica, teatral e festiva, mais do que como a
expressão de um ideal folclórico, nacionalista ou acadêmico qualquer.
Seja como for, é correto afirmar que a quadrilha deve a sua
sobrevivência urbana na segunda metade do século XX
e o grande sucesso popular atual aos cuidados meticulosos de
associações e clubes juninos da classe média e ao trabalho educativo de
conservação e prática feito pelos estabelecimentos do ensino primário e
secundário, mais do que à prática campesina real, ainda que vivaz, porém
quase sempre desprezada pela cultura citadina.
Desde do século XIX
e em contato com diferentes danças do país mais antigas, a quadrilha
sofreu influências regionais, daí surgindo muitas variantes:
- "Quadrilha Caipira" (São Paulo)
- "Saruê", corruptela do termo francês "soirée", (Brasil Central)
- "Baile Sifilítico" (Bahia)
- "Mana-Chica" (Rio de Janeiro)
- "Quadrilha" (Sergipe)
- "Quadrilha Matuta"
Hoje em dia, entre os instrumentos musicais que normalmente podem acompanhar a quadrilha encontram-se o acordeão, pandeiro, zabumba, violão, triângulo e o cavaquinho. Não existe uma música específica que seja própria a todas as regiões. A música é aquela comum aos bailes de roça, em compasso binário ou de marchinha, que favorece o cadenciamento das marcações.
Em geral, para a prática da dança é importante a presença de um
mestre "marcante" ou "marcador", pois é quem determina as figurações
diversas que os dançadores devem desenvolver. Termos de origem francesa
são ainda utilizados por alguns mestres para cadenciar a dança.
Os participantes da quadrilha, vestidos de matuto ou à caipira, como
se diz fora do nordeste (indumentária que se convencionou pelo
folclorismo como sendo a das comunidades caboclas), executam diversas
evoluções em pares de número variável. Em geral o par que abre o grupo é
um "noivo" e uma "noiva", já que a quadrilha pode encenar um casamento
fictício. Esse ritual matrimonial da quadrilha liga-a às festas de São
João europeias que também celebram aspirações ou uniões matrimoniais.
Esse aspecto matrimonial juntamente com a fogueira junina constituem os
dois elementos mais presentes nas diferentes festas de São João da
Europa.


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Renata Rodrigues
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